Doença de Alzheimer

Doença de Alzheimer

Prevenção da Doença de Alzheimer

Estima-se que nas próximas décadas o número de pessoas com mais de 65 anos no Brasil duplique, o que trará um impacto sócio-econômico para o qual ainda não estamos preparados. Mais do que isto, tratando-se de saúde pública, surge a preocupação com doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson e como evitá-las.

Infelizmente, ainda não existem tratamentos que mudem a história natural de doenças neurodegenerativas. Mas seria possível, através de hábitos de vida saudáveis, brecar a perda neurológica com o passar da idade, por exemplo, a perda de memoria e atenção?

Em primeiro lugar, um conceito fundamental da neurobiologia diz que "basta nascer para morrer". Isto significa que a cada dia que passa temos menos neurônios em nosso cérebro e portanto existe um processo de involução "natural" de nossa massa encefálica. Entretanto, e isto a grande maioria das pessoas esquece, cada neurônio que antes fazia 10 mil conexões, agora, aos 50 ou 60 anos, faz 100 mil conexões, e por isto uma pessoa nesta faixa etária pode dizer que atingiu seu ápice de funcionamento cognitivo. Logo, o conceito aqui trata de "qualidade" das conexões nervosas e não "quantidade".

Outro ponto importante nesta discussão diz respeito ao fato de algumas pessoas apresentarem uma "perda mais rápida" de seus neurônios com a idade. Isto algumas vezes pode significar o início de um processo neurodegenerativo. Na verdade, estudos recentes com imagem functional utilizando tomografia por emissão de pósitrons e radiotraçadores para proteina beta-amilóide estão demonstrando que estes indivíduos estariam maior "em risco" para desenvolver Alzheimer.

Finalmente, surge a pergunta sobre como evitar, em uma idade mais avançada, a perda de funções nobres como a memoria e a atenção. Aqui, o conceito de "quanto antes melhor" pode fazer toda diferença. Isto significa, então, que devemos nos preocupar aos 20 anos de idade com nosso cérebro de 65. "Quanto antes melhor"...

E as dicas para todos, em particular aos mais jovens, seriam incluir na dieta mais peixes, pequenas porções de carne vermelha, frutas e legumes, azeite de oliva, uma taça de vinho tinto e grãos da família das nozes, castanhas, etc. Outra dica diz respeito à atividade física regular, à atividade social, ou seja, interagir com as outras pessoas, conhecer gente nova, sair de casa e, finalmente, aprender algo novo sempre que puder, seja uma língua estrangeira, seja dirigir, costurar, qualquer coisa. O cérebro é ávido por informações novas e temos bilhões de neurônios à toa esperando nossas ordens.

No fim do dia, aqueles que cuidarem do seu cérebro ao longo de toda a vida terão mais chances de experimentar a "terceira idade" com tranquilidade.

Tratamento da Doença de Alzheimer

O tratamento da doença de Alzheimer ainda não consegue impedir o processo neurodegenerativo de perda celular. Entretanto, é bastante factível buscar uma melhor qualidade de vida com as terapias atualmente disponíveis.

Basicamente, o pilar do tratamento medicamentoso da doença de Alzheimer é feito com medicações que aumentam a quantidade de um neurotransmissor excitatório no cérebro, a acetilcolina. Isto acontece pela propriedade das substâncias rivastigmina, galantamina ou donepezil de inibirem a enzima que degrada a acetilcolina.

Além do tratamento dos sintomas cognitivos, outros problemas como manifestações psiquiátricas, alterações de sono e urina podem ocorrer e merecem muita atenção do médico assistente, que poderá trata-los.

Existem outras medidas, às vezes não tão difundidas, mas que podem também auxiliar no tratamento e dizem respeito aos cuidadores.

Dicas aos cuidadores

Alimentação e Nutrição

  • Deixar a geladeira abastecida com alimentos frescos, variados, nutritivos e de fácil preparo, com alimentos que podem ser ingeridos crus, cozidos ou grelhados. Assim fica mais fácil a manutenção de uma dieta nutritiva pelo paciente.
  • Preparar alimentos e armazená-los em recipientes adequados para sua conservação ("tupperware"), em quantidade suficiente para consumo após aquecimento pelo paciente.
  • A boa aparência de certos alimentos pode estimular o apetite em casos de falta de apetite ou inapetência.
  • Regular e manter os horários das refeições, estabelecendo uma rotina que irá facilitar que o paciente sinta fome na hora das refeições.
  • Dividir a alimentação em 4-5 porções diárias para assegurar a correta ingestão dos nutrientes necessários; no caso de uma refeição não ser realizada ou ser escassa por algum motivo, podendo compensar na próxima refeição.
  • Não excluir o paciente das refeições familiares, independente dos possíveis incômodos que isto possa causar.
  • Medir a temperatura da comida antes de servi-la ao paciente, pois muitas vezes este pode apresentar perda da sensação térmica e queimar-se involuntariamente com os alimentos.
  • Lembrar o paciente da necessidade de tomar líquidos, estimulando a ingestão de líquidos e oferecendo alimentos como sopas e vitaminas/iogurtes.

Lazer e Descanso

  • Alertar o paciente da viagem a ser realizada, disponibilizando a ele as informações básicas, estritamente necessárias como lugar, tempo de viagem e atividades que serão realizadas durante a viagem.
  • Organizar para que o deslocamento seja simples, curto e suficientemente flexível para adaptar-se às necessidades do paciente.
  • Dar preferência a destinos familiares e tranquilos, que facilitem a orientação e segurança do paciente.
  • Garantir que o local escolhido tenha banheiro particular, onde o paciente possa fazer suas necessidades higiênicas com privacidade e tranquilidade, assim como um quarto onde o paciente possa descansar, sem estímulos desnecessários.
  • Tentar respeitar os períodos de sono/vigília habituais do paciente. Evitar que este durma mais de 30 minutos durante o dia, levar para dar um passeio, jantar uma refeição leve, procurar um quarto silencioso e com pouca luminosidade para favorecer o sono noturno.

Conservar o Passado, Viver o Presente

  • Ajudar o paciente a relembrar memórias antigas para recordar a vivência emocional, e não para que se recorde de detalhes exatos e precisos.
  • Mostrar álbuns de fotografias para relembrar vários acontecimentos importantes, pessoas, lugares, projetos, objetivos, ajudando o paciente a sentir o controle da própria vida.
  • Utilizar objetos antigos para levar o paciente a épocas anteriores e lembranças associadas a estes objetos.
  • Ouvir músicas ou melodias da infância ou juventude do paciente despertam facilmente lembranças, sentimentos e emoções de antigamente.
  • Provar diferentes alimentos e sabores podem despertar lembranças ligadas a diferentes épocas, estações do ano, festas e experiências.
  • Visitar lugares onde o paciente viveu sua infância ou passou bons momentos, visitando amigos da infância ou juventude pode ajudar o paciente a se lembrar daquela época.
  • Estimular as boas lembranças que o paciente teve ao longo da vida.

Cuidar do Cuidador

  • O cuidador deve se cuidar física e psicologicamente para ter condições de cuidar bem do paciente com Alzheimer. O cuidador deve descansar e ter atividades prazerosas e de lazer, com o objetivo de atender o paciente nas melhores condições possíveis.
  • Coletar informações de vários profissionais que atendem o paciente, como médicos e enfermeiros, de reuniões de associações ou centros hospitalares que irão permitir ao cuidador um maior preparo, e acompanhando os sucessivos estágios da doença.
  • Expor suas dúvidas, medos e ansiedades a outros familiares do paciente, profissionais ou amigos, que podem ajudar, de alguma forma, a controlar estes sentimentos e a entender melhor o paciente.
  • Pedir ajuda a outros familiares, amigos ou centros profissionais para cuidar do paciente. Não é necessário um cuidador exclusivo para os pacientes. O cuidador principal deve levar muito a sério sua saúde física e psicológico.

Relacionamento e Comunicação

  • Conversar com o paciente em um local tranquilo e sem distrações para favorecer sua concentração e compreensão da conversa, facilitando sua expressão sem estímulos externos.
  • Permitir que o paciente possa vê-lo, procurando olhar nos olhos dele quando falar.
  • Utilizar palavras simples e frases curtas, de fácil compreensão. O paciente irá compreender melhor duas ou três frases simples do que uma frase longa e gramaticalmente complexa.
  • Falar devagar, com a pronúncia clara e utilizando um tom de voz tranquilo e adulto. A infantilização do modo de falar pode ser um ataque à dignidade do paciente como indivíduo, ofendendo-o.
  • Prestar atenção ao que o paciente quer explicar, ajudando-o e tenha certeza de tê-lo compreendido bem. Para o paciente é importante a confirmação de que sua mensagem foi passada e bem compreendida.
  • Dê tempo para que o paciente capte e assimile suas instruções. Mantenha a calma e seja paciente enquanto aguarda as respostas dele.
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